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A corrida trilionária da IA nos próximos 5 anos

14 min de leituraAbril 2025

O cenário global de investimentos em inteligência artificial e o que isso significa para empresas que operam no Brasil.

O mercado de inteligência artificial movimentou US$ 254,5 bilhões em 2025. As projeções para 2030 variam entre US$ 800 bilhões e US$ 1,8 trilhão, dependendo da fonte e do escopo. Mas independentemente de qual número se confirme, uma coisa é certa: estamos no meio da maior reestruturação tecnológica desde a internet e as decisões que empresas tomam agora vão definir quem compete no próximo ciclo e quem fica para trás.

Este artigo não é sobre futurismo. É sobre o que está acontecendo agora, para onde os maiores investimentos estão indo, e o que isso significa para empresas que operam no Brasil e na América Latina.

>O tamanho do que está em jogo

Para colocar em perspectiva: a IA está se espalhando mais rápido do que os telefones celulares se espalharam na sua primeira década de mercado. O que antes levava anos para se tornar padrão agora acontece em meses.

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IA corporativa 2024 → US$ 24 bilhões
IA corporativa 2030 (projeção) → US$ 150-200 bilhões
IA agente 2025 → US$ 7,9 bilhões
IA agente 2030 (projeção) → US$ 52 bilhões
crescimento anual composto → > 30%

Esses números refletem não apenas gastos com software. Refletem uma mudança na forma como empresas alocam capital. Segundo dados de 2025, 89% das organizações planejam aumentar ou manter seus investimentos em IA. Entre essas, 62% planejam aumentos efetivos, e 39% projetam aumentos entre 25% e 50%.

40% do investimento empresarial em IA generativa já vem de orçamentos operacionais permanentes não mais de budgets de inovação ou experimentação. A IA saiu do laboratório e entrou no P&L.

>Quem está liderando e quanto está investindo

A corrida tem protagonistas claros. Os hyperscalers Microsoft, Google, Amazon, Meta estão investindo centenas de bilhões em infraestrutura de IA. Mas a competição não se limita a big tech.

O que está mudando em 2025 e 2026 é a camada de aplicação. Enquanto os grandes constroem os modelos e a infraestrutura, uma nova geração de empresas está construindo as soluções que aplicam essa tecnologia a problemas específicos de negócio. E é nessa camada que o valor está sendo capturado de forma mais direta pelas empresas.

Segundo o Gartner, até 2027, agentes de IA vão desafiar as principais ferramentas de produtividade pela primeira vez em três décadas, provocando uma reorganização de mercado estimada em US$ 58 bilhões. Não se trata de substituir o Excel ou o e-mail trata-se de substituir fluxos inteiros de trabalho que hoje dependem dessas ferramentas.

A IBM projeta que 2026 será o ano em que sistemas multi-agente vão efetivamente entrar em produção nas empresas. O modelo de "um agente para cada tarefa" está dando lugar a ecossistemas de agentes coordenados equipes de IA que operam juntas da mesma forma que equipes humanas, com papéis definidos, pontos de escalonamento e supervisão.

Projeções indicam que até 2028 poderá haver 1,3 bilhão de agentes de IA ativos em ambientes corporativos. Isso não é uma previsão distante é a trajetória dos próximos três anos.

>Os setores que estão se movendo mais rápido

A adoção de IA não é uniforme. Alguns setores estão se movendo muito mais rápido que outros e a distância competitiva entre líderes e retardatários está aumentando dentro de cada indústria.

Serviços financeiros lideram em escala de adoção. Bancos, fintechs e gestoras foram os primeiros a implementar IA em compliance, detecção de fraude e processamento de crédito. Segundo dados da OpenAI, 70% dos projetos-piloto de IA agente vêm de três setores: serviços financeiros, varejo e manufatura. No setor financeiro especificamente, empresas com receita acima de US$ 5 bilhões investiram, em média, US$ 22,1 milhões em IA só em 2024.

Saúde mostra crescimento acelerado apesar das restrições regulatórias. IA está sendo aplicada em diagnóstico por imagem, análise preditiva, descoberta de medicamentos e automação de processos administrativos. A NVIDIA e a GE HealthCare estão colaborando em sistemas robóticos agentes para tecnologias de raio-X e ultrassom agentes de IA que interagem com equipamentos médicos físicos.

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logística 2025 → US$ 26,35 bi
logística 2034 → US$ 707 bi (CAGR 44,4%)
varejo 2024 → US$ 9,36 bi
varejo 2032 → US$ 85 bi
tech (adoção 12m) → crescimento de 11x

Manufatura e logística estão entre os setores com crescimento mais rápido. O mercado de IA em logística atingiu US$ 26,35 bilhões em 2025, com projeção de chegar a US$ 707 bilhões até 2034 um crescimento anual de 44,4%. Manutenção preditiva, otimização de cadeia de suprimentos e automação de chão de fábrica são as aplicações que mais geram retorno.

Varejo está investindo pesado em personalização e operações. O mercado de IA em varejo foi avaliado em US$ 9,36 bilhões em 2024 e deve chegar a US$ 85 bilhões até 2032. A aplicação vai além de recomendação de produtos: inclui gestão de estoque, precificação dinâmica e automação de atendimento.

Tecnologia lidera em velocidade de adoção. Segundo a OpenAI, o setor tech cresceu 11 vezes em adoção de IA nos últimos 12 meses o maior crescimento entre todos os setores.

>O que está mudando em 2026: cinco movimentos que definem o próximo ciclo

Com base nos relatórios mais recentes de IBM, Gartner, Deloitte e McKinsey, cinco movimentos estão definindo o que vem a seguir:

>1. De modelos genéricos para modelos especializados

A era de usar um único modelo de IA para tudo está terminando. O mercado está migrando para agentes especializados modelos treinados para tarefas específicas dentro de setores específicos. Um agente de IA para análise de contratos jurídicos é diferente de um agente para otimização de rotas logísticas. A especialização aumenta a precisão, reduz custos e diminui riscos.

>2. De experimento para operação

Segundo a Deloitte, 75% das empresas devem fazer a transição de piloto para operacionalização da IA em 2025-2026. Isso muda fundamentalmente o perfil de investimento: menos gastos com prova de conceito, mais gastos com integração, governança e sustentação.

>3. De IA individual para IA organizacional

O MIT Sloan Management Review destaca que a mudança mais significativa de 2026 é tratar a IA generativa como recurso organizacional, não individual. Em vez de cada colaborador usando ChatGPT por conta própria, empresas estão construindo infraestruturas internas de IA o que a Intuit chama de "GenOS", um sistema operacional de IA generativa para toda a empresa.

>4. Governança como habilitador, não obstáculo

A regulamentação de IA está se cristalizando globalmente. O AI Act europeu está em implementação, e outros mercados estão seguindo. Segundo a Forrester, IA generativa não governada em aplicações comerciais vai custar às empresas B2B mais de US$ 10 bilhões em valor perdido entre queda de ações, acordos judiciais e multas.

Mas as empresas mais avançadas estão tratando governança não como burocracia, mas como vantagem competitiva. Frameworks de governança robustos aumentam a confiança organizacional para expandir o uso de IA em processos de maior valor. Governança bem feita acelera a adoção não a freia.

>5. A convergência hardware + software + agentes

A IBM projeta que em 2026, a competição não será mais sobre modelos de IA será sobre sistemas completos. Modelos vão se comoditizar. O diferencial será quem consegue orquestrar modelos, dados, agentes e infraestrutura de forma integrada. Novos tipos de chips para cargas de trabalho agentes podem surgir, e arquiteturas híbridas combinando modelos de linguagem com sistemas simbólicos e grafos de conhecimento vão se tornar o padrão para IA corporativa.

>O que isso significa para empresas no Brasil

O Brasil não está fora dessa corrida. Segundo o relatório da OpenAI sobre o estado da IA corporativa em 2025, o Brasil está entre os mercados com crescimento mais acelerado em adoção de IA empresarial com aumento superior a 143% ano a ano.

Mas a realidade brasileira tem particularidades que amplificam tanto a oportunidade quanto o risco:

A mão de obra é mais barata que nos EUA ou Europa, o que historicamente reduziu o incentivo para automatizar. Mas com a IA reduzindo o custo da automação para uma fração do que era há cinco anos, a equação mudou. Automatizar no Brasil deixou de ser "economizar em folha" e passou a ser "operar com velocidade e precisão que não é possível manualmente".

A infraestrutura de dados em muitas empresas brasileiras ainda é fragmentada. Sistemas legados, dados em silos, processos não documentados esses são os obstáculos reais. Mas são exatamente os obstáculos que empresas especializadas em automação corporativa sabem resolver.

A regulamentação de IA no Brasil ainda está em desenvolvimento, o que cria uma janela de oportunidade para empresas que se antecipam e implementam governança antes de ser obrigatório.

>A janela de oportunidade

Os ciclos tecnológicos têm uma característica consistente: a janela de oportunidade para adoção estratégica é mais curta do que parece.

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cloud computing → ~10 anos para virar padrão
smartphones → ~7 anos
IA generativa → < 2 anos
IA agente → trajetória ainda mais rápida

Segundo o Gartner, em 2025 menos de 5% das aplicações corporativas tinham agentes de IA integrados. Até o final de 2026, essa porcentagem deve saltar para 40%. Essa velocidade de adoção significa que empresas que começarem a se preparar agora estruturando dados, mapeando processos, definindo governança estarão em posição de implementar quando a tecnologia atingir maturidade completa. As que esperarem vão enfrentar o custo adicional de fazer tudo isso sob pressão competitiva.

O mercado de IA agente deve adicionar entre US$ 2,6 e US$ 4,4 trilhões ao PIB global anualmente até 2030. Parte desse valor vai ser capturado por quem produz a tecnologia. Mas uma parcela significativa será capturada por quem a aplica primeiro e melhor às suas operações.

>Conclusão

A corrida trilionária da IA não é uma narrativa de ficção científica. É um movimento de mercado em andamento, documentado por dados de praticamente toda grande consultoria e instituição de pesquisa do mundo.

Para lideranças de empresas de médio e grande porte, a mensagem é clara: o custo de não participar está aumentando a cada trimestre. Não é necessário implementar tudo de uma vez. Mas é necessário começar a construir a fundação dados, processos, governança, capacitação que vai permitir capturar valor quando a oportunidade for mais clara.

E para quem olha os números e pensa que isso é exagero: dois anos atrás, ninguém previa que o ChatGPT teria centenas de milhões de usuários. Um ano atrás, IA agente era conceito acadêmico. Hoje, 79% das organizações globais já implementaram alguma forma de IA agente.

A velocidade da mudança é o dado mais importante. E ela não está desacelerando.

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